Carne vermelha: mais razões para evitar

U Fabíola Cunha    t 8 de fevereiro de 2017


As carnes estão no prato de muitas pessoas que buscam crescimento e manutenção dos músculos, pela riqueza em proteína deste alimento. Mas a carne vermelha vem apresentando cada vez mais razões para ser retirada do prato ou pelo menos, diminuída.

Alto colesterol e gorduras saturadas são alguns dos motivos. Diversas doenças crônicas são ligadas a ela também. Agora dois novos estudos oferecem mais motivos para cortar os bifes e hamburguers do prato.

E como já foi estudado, as proteínas vegetais estão com tudo!

Diverticulite em alta

Um estudo recente publicado na revista científica Gut, observou o impacto potencial da ingestão de carne vermelha, carne de aves e peixes na possibilidade de desenvolvimento de diverticulite, uma doença onde pequenas bolsas na parede intestinal inflamam. É uma doença cada vez mais frequente em jovens.

carne vermelha

Os pesquisadores analisaram cerca de 46,5 mil registros de saúde e dieta de homens nos Estados Unidos dentro de um estudo de 26 anos – durante esse período 764 homens desenvolveram diverticulite.

Depois de ajustarem a pesquisa para hábitos como fumo, exercício, uso de medicação e ingestão de fibras, os estudiosos perceberam que aqueles que ingeriram mais carne vermelho tiveram um aumento de 58% nas chances de desenvolver diverticulite comparado com aqueles que comeram menos. A cada porção diária, o risco aumentava 18%, apesar de o risco ter atingido o máximo com seis porções semanais.

carne vermelha

O estudo sugere que altas taxas de consumo de carne vermelha estão relacionadas com a quantidade de bactérias no intestino, o que pode afetar o sistema imunológico e a vulnerabilidade à inflamação. Neste estudo, as carnes menos processadas foram as vilãs, embora a culpa sempre recaia sobre as carnes processadas.

Isso porque as carnes não processadas são cozidas em temperaturas mais altas que as processadas, o que pode ser mais prejudicial para o microbioma.

Os pesquisadores também determinaram que substituir uma porção diária de carne por peixe ou carne de aves pode reduzir em 30% o risco de diverticulite.

Dica: Confira também nosso artigo especial sobre a memória muscular.

Câncer de mama

O outro estudo sobre carne vermelha, publicado no JNCI: Journal of the National Cancer Institute, analisou mais de 1,5 mil sobreviventes do câncer de mama por cerca de 18 anos – cerca de 600 morreram neste ano.

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Os pesquisadores descobriram que mulheres que ingeriram mais carnes grelhadas, defumadas e assadas em churrascos antes de seus diagnósticos tiveram o risco de morte aumentado em 23% por qualquer causa, comparadas com aquelas que comeram menos desses tipos de carne.

E comparadas com mulheres que cortaram esses alimentos completamente antes de seus diagnósticos, aquelas que continuaram a consumir tiveram uma taxa de morte 31% maior.

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Os resultados também foram ajustados para incluir fatores de influência como índice de massa corporal, exercício e ingestão de álcool.

Quando os resultados foram separados por tipos de carnes ingeridas, eles sugeriram que carne de aves e peixes defumadas não causam o mesmo risco e podem, inclusive, ser consideradas preventivas.


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